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14º Encontro de Leitura: Ciropedia de Xenofonte

  • há 3 dias
  • 2 min de leitura

Cartaz Heureka. Décimo Quarto Encontro de Leitura. Ciropedia de Xenofonte.

No próximo dia 19 de maio pelas 18:30, a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (na sala C.010B) acolherá o último encontro do ano letivo 25-26 do Heureka  Clube de Leitura. No âmbito do nosso Ciclo "Acolher o Outro”, convidamos os nossos leitores para uma discussão sobre o conceito de justiça e a sua relação com o estrangeiro.


Propomos desta vez a leitura de um passo da Ciropedia / A Educação de Ciro de Xenofonte (1.6.27-46). Cambises, pai de Ciro, na antecâmara de uma grande batalha contra os invasores assírios, expõe ao filho a atitude que este deve assumir de futuro para com os seus inimigos, atitude essa que entra em rutura com a esmerada educação que Ciro recebeu. É inteiramente legítimo, sustenta Cambises, a prática de todo o tipo de injustiças na exata medida em que nos elas proporcionarem a oportunidade de levarmos a melhor sobre um inimigo; Ciro, por sua vez, ainda que dotado de caráter e de grandeza moral, parece acolher favoravelmente as palavras do pai e a breve trecho as colocará em prática.


A distinção entre amigos e inimigos - reavivada em tempos modernos pela obra do jurista alemão Carl Schmitt - é muito antiga e foi consagrada no famoso provérbio, ubíquo na literatura grega, segundo o qual é justo o homem que beneficia os seus amigos e prejudica os seus inimigos. É esta visão da sociedade que encontramos no primeiro livro da República de Platão, pela boca de Polemarco, e cuja refutação fica a cargo de Sócrates, enquanto partidário de uma conceção mais alargada de justiça.


A verdade, porém, é que a apologia do tribalismo sempre conviveu paredes-meias com o universalismo cosmopolita e nem as expedições de Alexandre Magno nem a constituição do Império Romano nem a implantação decisiva da filosofia estoica entre as elites lograram extirpá-la por completo.


Esta prédica de Cambises reveste-se, portanto, de maior importância. Porque nos dá um vislumbre, à semelhança da peça de Ésquilo (Persas), do "outro" visto sob um espartilho helénico; porque nos convida a refletir sobre a linha aparentemente muito ténue que que separa o "inimigo" do "estrangeiro"; porque nos permite colocar em causa um ideal de justiça vinculado a um só grupo em detrimento dos restantes. Mas também porque a influência da Ciropedia na literatura europeia pós-Renascimento foi imensa - Xenofonte é o autor de cabeceira de Maquiavel, cujo príncipe ideal, em termos de conduta, é explicitamente devedor dos preceitos de Cambises - e porque não haverá melhor texto para discutir em sede universitária do que o primeiro tratado pedagógico. Ciropedia de Xenofonte


(David Miranda)


Contamos consigo no próximo dia 19 de maio, às 18h30: 14º Encontro de Leitura: A Educação de um Príncipe

📖 Ciropedia / A Educação de Ciro (1.6.27-46)

Centro de Estudos Clássicos da Universidade de Lisboa
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
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