Os Limites do Progresso: O Desafio de Prometeu

O titã Prometeu rouba o fogo aos deuses e oferece-o à humanidade, abrindo caminho à técnica e ao conhecimento. Como castigo, é acorrentado a um rochedo, onde uma águia lhe devora eternamente o fígado. Hoje, o mito interpela-nos: até onde pode ir o progresso?
Para refletirem connosco, o Heureka – Clube de Leitura convidou a Professora Leonor Santa Bárbara e o poeta, ensaísta, crítico e professor António Carlos Cortez para uma sessão, no dia 24 de novembro, onde poderá também contar com a leitura de Hesíodo e de passos do Prometeu Agrilhoado de Ésquilo.
A entrada é livre.
Notas biográficas

Leonor Santa Bárbara é Professora Associada no Departamento de Estudos Portugueses na NOVA FCSH e é investigadora do CHAM - Centro de Humanidades (NOVA FCSH/UAc), sendo membro do grupo de investigação Representações, Discursos, Materialidades e Usos do Passado. Coordena a licenciatura em Estudos Portugueses.
A sua investigação centra-se na cultura e na literatura da Grécia Antiga, sobretudo o período helenístico, embora também tenha alguns trabalhos sobre o modo como temas e autores gregos têm sido tratados na literatura e na cultura portuguesas.
Resumo da intervenção:
Filho de Jápeto, o titã Prometeu por mais de uma vez cuidou do ser humano e são vários os textos que o comprovam. Primeiro, iludiu Zeus, fazendo dois montes cobertos com a pele de um boi: um continha apenas ossos e gordura, enquanto o outro escondia a carne do animal. Deu a escolher a Zeus qual dos dois preferia e a escolha do deus determinou que a carne do animal sacrificado caberia aos homens, ficando os ossos e a gordura para os deuses. Mais tarde, roubou o fogo de Hefesto, dando-o ao homem.
Se estes episódios nos são contados por Hesíodo e Ésquilo, já Platão, no Protágoras, nos fala de uma outra acção de Prometeu em prol da humanidade: tendo-lhe sido atribuída a função de distribuir os vários atributos pelos seres vivos, Prometeu acedeu ao pedido do irmão, Epimeteu, e deixou-o fazer essa distribuição. Este, na sua excessiva generosidade, foi entregando a cada animal garras, bicos, asas, penas, pele, força, velocidade… De repente, apercebeu-se de que tinha dado todos os atributos, deixando o ser humano despido. Foi Prometeu que solucionou o problema: não tendo nada para o homem, deu-lhe a capacidade de encontrar os meios para lidar com os outros animais.
Com base nestas três versões relacionadas com a figura de Prometeu, procurarei mostrar como este titã auxiliou o homem, contribuindo para o seu conhecimento, como ele próprio diz no segundo episódio de Prometeu Agrilhoado, mas sobretudo dando-lhe os meios que possibilitam o progresso.
(Leonor Santa Bárbara)

António Carlos Cortez é poeta, ensaísta, crítico literário e professor de Literatura Portuguesa e de Clássicos da Literatura no Liceu Camões, bem como de Crítica Literária na Universidade Católica.
Desde 1999, publicou quinze livros de poesia e seis de ensaio, incluindo Para Ler Camões (2025) e O Fim da Educação (2025), distinguido em 2026 com o Prémio Jacinto Prado Coelho. É ainda autor do romance Um Dia Lusíada (2022), dos contos Cenas Portuguesas (2024) e de Uma Estória de Os Lusíadas (2026), uma recriação da épica camoniana. A sua poesia recebeu, entre outros, o Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores, os Grandes Prémios de Poesia Teixeira de Pascoaes e Maria Amália Vaz de Carvalho (APE) e os Prémios Literários Ruy Belo (Câmara Municipal de Sintra) e António Gedeão (FENPROF).
Colaborador permanente do Diário de Notícias e do Sol, escreve também na Visão e no Expresso. Traduziu os poetas espanhóis Alfonso Costafreda e Rodolfo Häsler. Fernando J. B. Martinho destaca a sua forte consciência literária e a dedicação à crítica, reconhecendo nele um poeta-crítico.
Contamos consigo no próximo dia 24 de novembro, às 18h30: Os Limites do Progresso: O Desafio de Prometeu
Local
Biblioteca Palácio Galveias
Campo Pequeno
1049-046 Lisboa



